SUCESSO - Pabllo Vittar comenta sucesso: 'continuo com os pés no chão'
16/09/2017 10:43 em Tititi

Pabllo Vittar, a drag queen que injetou boa dose de irreverência no pop brasileiro com hits como “Todo dia” e “Corpo sensual”, chegou maquiada ao Studio do Cais, onde foi fotografado este ensaio de capa do ELA. Cílios postiços, nariz e queixo afinados, sobrancelhas bem marcadas: a beleza, assinada por ela mesma, estava dramática. Pabllo, de 22 anos, conta que levou 40 minutos para ficar daquele jeito.

— Conheço mulheres que demoram mais do que eu — observa a cantora, continuando: — Parece que a drag vem chegando à medida que meu rosto vai mudando. Por isso, não abro mão de fazer o meu próprio make. Caso outra pessoa assuma os pincéis, não terei esse gostinho.

De peruca — que ela só coloca segundos antes do primeiro clique —, Pabllo se joga para valer. É uma diva diante da câmera. Capricha no carão e nos gestos enquanto veste looks repletos de paetês, canutilhos e com uma carga necessária de deboche. Em ação, Pabllo, que pede para posar ao som de Fifth Harmony e afins, é quase uma contorcionista.

— Eu sou assim, sabe? Não fico treinando poses em frente ao espelho. É tudo natural. Quando estou desmontada, tenho que me podar um pouco. Sou ligada no 220 — explica.

Pabllo diz que é drag para trabalhar e, muitas vezes, para se divertir. O processo de transformação é uma terapia.

— Na verdade, sempre tive perto desse mundo, mas meu contato aumentou ao assistir ao reality show “RuPaul's drag race”, que me foi apresentado por um ex-namorado — comenta. — No programa, também percebi que eu poderia soltar a minha voz, e não apenas dublar. Até então, as drags que conhecia eram todas tops bate cabelo, como a Marcia Pantera. Um old school maravilhoso. Mas meus olhos não brilhavam para subir ao palco e fazer aquilo. Eu queria cantar.

“Vai passar mal”, o álbum de estreia, foi lançado em janeiro. Pabllo não era uma completa desconhecida. O clipe de “Open bar”, uma versão em português da música “Lean on”, do grupo Major Lazer, de 2015, já era um sucesso de visualizações no YouTube.

— Teria sido bem difícil espalhar a minha música sem a internet. Na época em que vivemos, o universo virtual é muito importante. Todo mundo sabe, não somos ninguém sem um bom marketing digital — aponta a cantora, hoje com mais de 4 milhões de seguidores no Instagram (um número de respeito. A drag americana RuPaul Charles, por exemplo, tem 1,6 milhão).

RAINHA DA WEB

Pabllo Vittar, na verdade, nasceu Phabullo Rodrigues da Silva, no Maranhão. Mudou-se para o Pará ainda criança, retornando ao seu estado natal aos 13. Chegou a morar um tempo em São Paulo, até se estabelecer em Uberlândia, Minas Gerais (“E não quero sair da cidade”). Filha de uma técnica de enfermagem (ela não chegou a conhecer o pai), Pabllo — que tem uma irmã gêmea, Phamella, e outra mais velha, Pollyana — começou a se maquiar aos 16, um ano após falar para a mãe que era gay. Mas foi em seu aniversário de 18 anos que se “montou” de drag queen pela primeira vez.

Antes de virar esse fenômeno pop, a cantora estudou Design de Interiores, na Universidade Federal de Uberlândia. Não concluiu o curso. A vida ficou corrida demais — este mês, por exemplo, ela fará 18 shows no total. Pabllo não reclama da rotina atual.

Continuo do mesmo jeito, com os pés no chão. Encaro este trabalho como qualquer outro. Acordo cedo, tenho minhas responsabilidades. A minha ficha ainda não caiu. Faço isso com todo o carinho. Agora consigo entender como é ser amada. É uma sensação incrível. Quando eu era menor, tinha as minhas divas, como a Beyoncé (no início de tudo, ela usava o nome artístico Pabllo Knowles, uma homenagem ao ídolo). Era algo tão distante. Outro dia, umas crianças pediram para tirar foto comigo num hotel. Tenho um público infantil. Fico chocada. Sou a nova Xuxa — diverte-se.

Pabllo não namora (“Sou oficialmente solteira”) e não sai muito à noite:

— Mas não me preocupo com isso, não! Meu grande objetivo é a minha carreira e estou muito feliz com tudo.



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